O Twitter removeu quase 90.000 contas vinculadas ao governo da Arábia Saudita que os pesquisadores identificaram como parte de uma ampla campanha de propaganda apoiada pelo Estado para espalhar seus interesses geopolíticos.

As contas estavam “ampliando mensagens favoráveis ​​às autoridades sauditas”, usando seu grande volume para curtir, retuitar e responder agressivamente a tweets relacionados à política local e ocidental, disse o Twitter na sexta-feira em um post no blog. A  mensagem  visava especificamente discussões sobre sanções iranianas e o assassinato do jornalista e nacional saudita Jamal Khashoggi, disse Renee DiResta, gerente de pesquisa do Observatório da Internet de Stanford, que analisou os tweets.

Os pesquisadores rastrearam a fonte da atividade coordenada da Smaat, uma empresa de mídia social e marketing baseada na Arábia Saudita ligada ao governo, controlada pela família real. As próprias contas da Smaat foram suspensas, juntamente com as dos executivos seniores da empresa, de acordo com a publicação do blog.

A decisão do Twitter de suspender as contas sauditas ocorreu um mês depois que dois ex-funcionários do Twitter e um cidadão saudita foram acusados ​​pelos EUA de ajudar Riad a espionar dissidentes que usavam a rede social. Entre os acusados ​​estava Ahmed Saad Almutairi, executivo da Smaat, que trabalhava em nome da família real, segundo documentos da corte.

O príncipe saudita Alwaleed Bin Talal possuía cerca de 4,9% do Twitter, de acordo com os registros da empresa em 31 de dezembro de 2016, que são os registros mais recentes de sua participação disponível.

A campanha removida pelo Twitter é do tipo que as empresas de tecnologia dizem estar caçando após as eleições presidenciais de 2016 em que os operadores russos usaram plataformas como Twitter, Facebook e YouTube do Google para tentar influenciar a opinião dos eleitores.

O Facebook, por exemplo, removeu  mais de uma dúzia de  campanhas de “comportamento inautêntico coordenado” este ano de países como Rússia, Irã, China e Israel. Na sexta-feira, a empresa anunciou que havia derrubado duas redes desconectadas de mais de 1.300 contas, páginas e grupos originários da Geórgia, Vietnã e EUA por se envolverem em interferências estrangeiras e governamentais. Nesses esforços, os atores espalharam a desinformação e até criaram fotos de perfil falsas usando inteligência artificial, na tentativa de influenciar a opinião pública usando identidades falsas, uma violação das políticas do Facebook.

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